Nara: cervos, Big Buddha e McDonald’s [Rota Japão dia 5: 23/01/2019]

A cidade que fomos visitar neste dia não é nem uma das mais famosas turisticamente faladas do Japão, nem uma das mais visitadas, mas foi para nós uma grata surpresa.

A cidade de Nara foi a capital do Japão entre os anos de 710 e 784 e foi a primeira capital fixa do país.  Seus templos e santuários restantes fazem parte do Patrimônio Mundial da Unesco.

A cidade é conhecida pelo Todai-Ji, templo sagrado que abriga o Big Buddha, a maior estátua de bronze do Buddha Vairochana do mundo.  O templo fica na área do Parque de Nara, um lindíssimo parque com uma paisagem especial, e que tem uma peculiaridade como atrativo turístico. Soltos pelo parque e ruas da cidade desfilam livremente inúmeros cervos, sim cervos, parecidos com o Bambi do desenho da Disney, e eles vêm saudar os visitantes e obviamente pedir comida de maneira ávida.

O cervo de Nara

Os cervos japoneses que vagam pelas ruas de Nara são considerados animais sagrados.  Diz a lenda que o Deus Takemikadzuchi chegou a Nara montado em um cervo branco, para proteger a recém-criada capital.  Desde então, há a crença de que os cervos japoneses são animais sagrados e que protegem a cidade e o país.

Eles são umas gracinhas, dóceis, até que se prove o contrário, de todos os tamanhos e idades. Parecem treinados, e de certa forma são mesmo, eles não mordem ou avançam, não por querer, nem tendem a machucar as pessoas mas são animais grandinhos e que requerem um certo zelo ao lidar pois eles podem ser brutos sem intenção na sua insistente tentativa de conseguir comida com você. Por isso algumas vezes tomamos leves cabeçadas e mordiscadas, nada de mais, foi até engraçado!

Olha a pose e como são dóceis

Por isso o parque e sua administração toma certos cuidados como serrar os chifres e lixá-los para que não machuquem os visitantes e ainda há no parque diversos avisos para que tomemos cuidados com bolsas e mapas pois os curiosos e gulosos bichinhos podem fuçar e comer os mapas. Eu vivi isso quando estava sentada e um deles tentou pegar o mapa que estava no bolso de trás da minha calça, de fato tomei uma pequena mordida nas nádegas!

Chifre devidamente lixado para não machucar os visitantes
Ei essa comida é minha!

Há ainda inúmeras barraquinhas por todo o caminho até o templo do Buddha que vendem uma espécie de biscoito redondo , semelhante ao sembei, que são o alimento dos bichos e eles sabem disso.  Tanto sabem, que alguns ficam inclusive estrategicamente ao lado das barracas esperando alguém comprar o pacote de biscoito para “atacar”, pedindo insistentemente por um pedaço.  Por vezes quase não dava tempo de abrir a fitinha que envolvia os biscoitos.  Era gente rindo e correndo, uma comédia!  As meninas adoraram alimentar os cervos de Nara, mas era de fato uma pequena aventura, vimos vários visitantes passando um certo “aperto” assim como nós ao tentar alimentar os animais.

Barraquinha de venda de biscoito ração para os veados
Eles até atravessam na faixa! Quase sempre…

Apesar de afoitos, eles também podiam ser muito educados e repetem o cumprimento japonês, curvando a cabeça na esperança de receber mais um biscoito.  São uma graça e roubam a cena de qualquer atrativo turístico.

Seguimos pelo parque em direção ao Todai-Ji, que era o nosso destino principal neste dia.

A multidão indo em direção ao templo

Começamos entrando pelo imenso Torii e, ao entrar na área do templo propriamente dita, compramos o ticket para visitar primeiro o museu que conta toda a história do templo, do povo e da cultura japonesa ligada a este lugar.

Aqui também fizemos o ritual de purificar-se para entrar no templo. ô água fria sô!
Fachada do templo com riqueza de detalhes característicos do estilo arquitetônico
grande Torii

Resumindo a história, em uma época em que o Japão sofria com guerra e pragas, o imperador resolveu pedir ao povo que construísse uma enorme estátua de Buddha e um templo ao redor, para que ele intercedesse aos Deuses e ajudasse o Japão a sair da crise.  Todo o povo se mobilizou de alguma forma e como pôde, na construção não só da imagem de bronze mas de todo o templo em homenagem a Buddha.  É tudo cheio de referências e detalhes, tudo com muito significado na cultura e na religião budista, como o Buddha sentado sobre a flor de lótus, símbolo da pureza do corpo e da mente, prometendo elevação espiritual.  As grandes pétalas da flor em bronze são perfeitamente belas e apoiam a estátua construída para proteger e abençoar o povo e o Japão.

Big Buddha

Vale ressaltar que o templo que abriga as imagens do Big Buddha e dos menores, ou como disse Isabel dos Buddhas Júniors, foi destruído e reconstruído algumas vezes mas a estátua de Buddha permaneceu.  O templo que vemos hoje é de fato bem menor e com menos riqueza de detalhes que o original, podemos ver pois havia no local maquetes dos templos anteriores e assim pudemos fazer essa comparação.

“Buddha Júnior”
maquetes dos templos e pagodes

Há ainda no local uma gift shop, claro, com lembrancinhas e os amuletos novamente.  Assim como vimos no Templo Meiji, havia aqui amuletos para todo tipo de pedido, boa prova, bom parto, boa viagem para conseguir marido e por aí vai. Essa cultura dos amuletos achei muito intrigante e peculiar de certa forma, é muito mais que só para sorte, é específico para um pedido e cada um tem uma cor e uma espécie de oração atrelada, não sei ao certo pois acabamos não comprando nenhum mas ficamos intrigados e curiosos.

Fachada monumental
Estrutura de dentro do templo toda em madeira

Saindo do tempo reencontramos nossos fofinhos amiguinhos cervos, alguns já tirando aquela sonequinha do almoço e outros ainda na batalha pelo biscoito nosso de cada dia interagindo com as pessoas.  E nós não podíamos sair de Nara sem levar as lembrancinhas do local, lembranças materiais pois as lembranças na memória e no coração já tínhamos guardado. Diversas lojas pelo caminho vendiam de tudo com a temática dos animais característicos da cidade, meias, papéis, canetas, pelúcias gorros e luvas e claro chaveiros e imãs tudo com a carinha dos cervos.

gorros, pelúcias e lembranças

Ainda na saída encontramos um senhor que estava de bicicleta e nos parou para ensinar um truque com os animaizinhos, ele com uma ração na mão contava , one, two, three e subia e descia a mão enquanto o cervo subia e descia a cabeça e só então ele jogava a ração e o bicho pegava no ar, muito legal e as meninas adoraram ele deu a elas também uma dobradura de boquinha muito legal.  Os japoneses são de fato muito receptivos e simpáticos!

Estátua na loja e informações turísticas ao lado da estação do trem

Ao voltar para Osaka, uma viagem de trem que durou pouco mais de uma hora, ainda estava cedo e pudemos aproveitar o tempo para explorar algumas lojas e ver especialmente os brinquedos, e mais uma vez elas fizeram a festa… Quase gastaram a cota delas toda, mas elas estão aprendendo direitinho a usar o próprio dinheiro.

Bolinha com chaveiro de black pink! aaaaaaaahhhh. Teen k-pop fã.
Bebel e o mundo dos Silvanian Family

Na hora de escolher onde jantar adivinha onde elas quiseram ir comer? Mc Donalds!  Toda vez elas querem conhecer os sanduíches da rede no local, cheeseburger não é tudo igual?  De fato neste caso tenho que dar o braço a torcer, eles são diferentes, o mc lanche feliz daqui tinha a opção de panquecas ao invés do sanduíche tradicional e ainda tinham sanduíches de frango teriaki e hambúrguer de camarão (ebiburger), diferentes e muito saborosos, valeu a pena experimentar.

Mc pankaku vem com potinho de mel e manteiga
Ebiburger, sanduíche de camarão

Antes de voltar ao hotel fomos novamente à loja da Dom Quijote para andar na roda gigante e ter uma visão privilegiada do alto da região de Namba em Osaka, a noite toda iluminada.

Roda gigante??

Sim! Bizarramente, a Donki que fica na área de Namba possui uma roda gigante em cima. Muito louco não?

Bia na cabine da roda gigante da Donki
Vista da roda gigante

A gente tinha que subir até o quinto andar da loja para poder entrar na roda gigante. E a roda gigante também não é uma roda, ela é achatada, tornando a experiência ainda mais maluca.

Roda gigante “achatada” da Donki, em Osaka

Chegamos o hotel para dormir, e lá estavam mais 4 garrafas d’água de cortesia!… Acho que querem nos afogar!!!

O dia foi muito divertido, inesperadamente divertido, e foi para elas até então o dia mais legal da viagem.  Nara foi um lugar que decidimos visitar já no final do nosso planejamento, e acabou dando muito certo, tanto pelo aspecto cultural quanto pelo aspecto inusitado, dos bichinhos passeando pela rua.

Turismo é isso também, parte é o lugar e seus atrativos e parte é a experiência que cada um tem nesse lugar.

See Ya!

Dicas deste post:

  • A cidade de Nara fica coladinha em Kyoto e é facilmente acessível a partir de lá, ou de Osaka. Dá para conhecer os principais atrativos em um bate-e-volta a partir destas cidades, principalmente utilizando o JR Pass nos Shinkansen.
  • Os templos antigos de Nara, em conjunto, são patrimônio da Humanidade pela Unesco.
  • Uma das colunas pincipais do Todai-Ji tem um buraco bem na sua base.  Diz a lenda que, se a pessoa conseguir atravessar pelo furo de um lado a outro do pilar, será agraciado com a iluminação na próxima vida.
  • Diversas lojinhas da área próxima ao parque de Nara possuem souvenirs com a temática dos cervos.  Recomendamos as meias temáticas, bem coloridas!
  • Ainda na mesma região, experimente os sorvetes de matcha (chá verde), muito saborosos!
  • O MacDonald’s de cada país possui um cardápio adaptado aos costumes locais.  No caso do Japão, o mais curioso foi mesmo o hamburguer de camarão, embora os hamburgueres ao teriaki e as panquecas tenham sido  também deliciosas.
  • A roda-gigante da Donki de Dotonbori (Osaka) não é das maiores, mas é sem dúvida uma das mais inusitadas.  Como falamos, ela é achatada, pois as cabines correm em um trilho oval e alcança uma altura suficiente para ver os arredores e tirar uma bela foto.

3 pensamentos em “Nara: cervos, Big Buddha e McDonald’s [Rota Japão dia 5: 23/01/2019]”

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